Quatro projetos, quatro histórias: conheça os talentos brasileiros premiados na Real Leather. Stay Different.

Vencedoras da competição Real Leather. Stay Different. Brasil 2026.
Competição internacional chega pela primeira vez ao Brasil e reconhece criações que conectam moda, cultura, memória e tradição artesanal.
O couro ganhou novos significados na primeira edição brasileira da Real Leather. Stay Different. (RLSD). A competição internacional voltada a estudantes e novos talentos de moda e design reconheceu quatro projetos que exploram o material a partir de diferentes perspectivas, passando pela cultura brasileira, pela música, pela memória afetiva e pela tradição artesanal.
Entre os destaques está Daniela de Abreu, vencedora geral da competição e também primeiro lugar na categoria Vestuário, com o projeto Flamboyant. A criação parte de referências do sertão nordestino e aproxima moda, música e identidade cultural brasileira em uma proposta pensada especialmente para a performance e a presença no palco.
Da música para a moda
O projeto Flamboyant nasceu inspirado na música “Flor de Flamboyant”, presente no álbum Dominguinho, de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê. A flor, associada à intensidade, beleza e emoção, tornou-se um dos elementos centrais da criação.
A proposta utiliza couro em tons de vermelho escarlate, branco e laranja, combinando recursos como corte a laser e bordado. Daniela também incorporou uma preocupação com o reaproveitamento de materiais ao utilizar sobras de couro para produzir apliques florais.
O resultado transforma referências musicais e culturais em uma peça que vai além da roupa e assume uma dimensão performática.

Vencedora Daniela de Abreu e Renatta Gomes, jurada na competição.
Acessório que muda de forma
Na categoria Acessórios, quem levou o prêmio foi Julia Moraes do Nascimento, com Reflection.
A criação aposta na versatilidade: o projeto consiste em um chapéu com duas faces, permitindo diferentes maneiras de utilização e composição. A proposta parte da ideia de que uma mesma peça pode ganhar novas interpretações dependendo da forma como é usada.
Mais do que um acessório, Reflection explora justamente essa possibilidade de transformação e expressão individual por meio da moda.

Vencedora Daniela de Abreu e Renatta Gomes, jurada na competição.
Quando tradição e design se encontram
A categoria Calçados teve como vencedora Ana Nascimento, estudante do primeiro ano de Design de Produto da Fatec Victor Civita e integrante da segunda geração de uma família de artesãos paulistas.
Seu projeto, ALMA, nasceu de uma relação pessoal com a sapataria artesanal. A trajetória de Ana dentro desse universo começou em 2013, ainda em contato com o ambiente de trabalho da família.

Vencedora Julia Moraes do Nascimento e Marnei Carminatti, jurado na competição.
A criação apresenta um sapato Oxford produzido manualmente, utilizando técnicas tradicionais de sapataria. A proposta estabelece uma ponte entre conhecimentos transmitidos entre gerações e possibilidades do design contemporâneo.
A durabilidade também aparece como parte importante do conceito. Ao pensar em uma peça feita para permanecer, ALMA se aproxima da discussão sobre consumo consciente e da valorização de produtos que não são pensados para o descarte imediato.

Vencedora Julia Moraes do Nascimento e Marnei Carminatti, jurado na competição.
O público também escolheu seu favorito
A votação popular da competição teve Andeli Alves como vencedora da categoria People’s Choice, com o projeto Na Ginga da Roda.
O vestido desenvolvido pela designer parte das danças circulares presentes em diferentes culturas e povos, incluindo referências indígenas, africanas e europeias que também fazem parte da formação cultural brasileira.

Vencedora Ana Nascimento e os irmãos Caio e Victoria Nakane da Viga, jurados na competição.
Memórias da infância e manifestações populares, como quadrilha, ciranda e samba de roda, aparecem na construção do projeto. O couro é trabalhado para criar volumes e movimentos que acompanham o corpo, explorando sua estrutura e maleabilidade.
A ideia de movimento também está ligada ao próprio conceito da criação. O entrelaçamento dos tecidos representa unidade, história e cultura, enquanto a resistência do couro estabelece uma relação com ciclos, transformação e permanência.

Vencedora Ana Nascimento e os irmãos Caio e Victoria Nakane da Viga, jurados na competição.
Novos olhares para um material tradicional
Embora tenham propostas bastante diferentes, os quatro projetos premiados partem de um mesmo ponto: experimentar novas possibilidades para o couro dentro da moda e do design.

Vencedora Andeli Alves e Patrícia Carta diretora da Harper ‘s Bazaar, jurada na competição.
Nas mãos de Daniela, o material encontra a música e a performance. Com Julia, ganha versatilidade em um acessório. Ana aproxima o couro da tradição familiar e da sapataria artesanal, enquanto Andeli utiliza o material para contar histórias relacionadas à cultura e às memórias brasileiras.
A primeira edição da Real Leather. Stay Different. no Brasil amplia, dessa forma, o espaço para estudantes e novos profissionais experimentarem diferentes técnicas e linguagens. A competição é uma iniciativa do Leather and Hide Council of America (LHCA), entidade sem fins lucrativos ligada à indústria de couros e peles dos Estados Unidos, com apoio institucional do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

Vencedora Andeli Alves e Patrícia Carta diretora da Harper ‘s Bazaar, jurada na competição.
Mais do que premiar criações, a proposta coloca novos nomes diante da possibilidade de repensar um material tradicional a partir de suas próprias referências — e mostra que, na moda, até mesmo um material conhecido pode ganhar novas histórias quando passa por diferentes olhares.
E aí, qual dos quatro projetos mais chamou sua atenção?

