“Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia” estreia temporada em São Paulo

Espetáculo aborda amor, luto, masculinidade e vulnerabilidade emocional ao acompanhar o reencontro de dois homens marcado por memórias, afetos e silêncios.
O teatro paulistano recebe, a partir desta semana, uma montagem que mergulha nas complexidades da memória, dos afetos e das relações humanas. “Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia”, de Lucca Marques e Rafael Salmona, com direção de Áurea Liz, inicia temporada no Espaço Cia da Revista, onde fica em cartaz de 1º a 11 de outubro.
A peça acompanha João e Felipe, dois homens que se reencontram à beira de uma ponte depois de um longo período de silêncio. A partir desse encontro, os personagens revisitam experiências compartilhadas e confrontam não apenas aquilo que viveram juntos, mas também as versões que construíram de si mesmos e um do outro.
Com uma dramaturgia poética e fragmentada, a montagem aborda temas como amor, luto, saúde mental, masculinidade e vulnerabilidade emocional, atravessando uma relação marcada pelo afeto, pela violência, pela culpa e por tudo aquilo que permaneceu não dito.

Memória vira matéria no palco
Em “Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia”, a memória não aparece apenas como lembrança, mas como parte da própria construção cênica. Música, palavra, silêncio e movimento se encontram para criar uma narrativa que transita entre presente e passado, realidade e lembrança.
A estrutura fragmentada acompanha justamente essa instabilidade. Recordações se sobrepõem, diferentes versões dos acontecimentos entram em conflito e situações que pareciam encerradas retornam sob novas formas.
O espetáculo parte de uma pergunta sobre aquilo que permanece depois que uma relação se transforma em ruído: é possível seguir adiante quando determinadas experiências continuam ecoando?
“Quando uma melodia se rompe, é possível simplesmente seguir adiante ou levamos para as relações seguintes os ecos daquilo que nunca conseguimos escutar?”, questionam os dramaturgos Lucca Marques e Rafael Salmona, que também integram o elenco.

Espetáculo acumula apresentações e prêmios
A trajetória da montagem começou fora do Brasil. O espetáculo estreou no Festival Internacional de Teatro do Atlântico, em Cabo Verde, e posteriormente circulou por Portugal e Espanha, onde também ganhou uma versão em língua espanhola.
A estreia nacional aconteceu em Brasília, em janeiro de 2026. Mais recentemente, a montagem participou do FESTEI – Festival Nacional de Teatro de Ibiúna, realizado entre 3 e 7 de setembro.
Durante o festival, o espetáculo recebeu oito indicações: Melhor Cenografia, Melhor Sonoridade, Melhor Iluminação, Melhor Dramaturgia, Melhor Direção, Melhor Ator para Lucca Marques, Melhor Ator para Rafael Salmona e Melhor Espetáculo.
A montagem conquistou três prêmios na mostra: Melhor Cenografia, Melhor Dramaturgia e Melhor Ator para Rafael Salmona.
A dramaturgia também ultrapassou o palco e chegou à literatura. O texto da peça foi publicado em uma edição bilíngue em português e espanhol pela editora Giostri.
Uma relação construída entre memória e silêncio
Em cena, Lucca Marques e Rafael Salmona conduzem os personagens por diferentes camadas temporais, fazendo com que presente, memória e delírio se misturem ao longo da narrativa.
A direção de Áurea Liz aposta em uma construção colaborativa e valoriza a relação entre os intérpretes e o texto, criando uma encenação que acompanha a delicadeza da dramaturgia.
A temporada paulistana acontece entre 1º e 11 de outubro, no Espaço Cia da Revista, levando ao público uma história sobre aquilo que permanece nas relações mesmo quando as palavras deixam de existir.
Serviço
Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia
Temporada: 1º a 11 de outubro de 2026
Local: Espaço Cia da Revista
Dramaturgia: Lucca Marques e Rafael Salmona
Direção: Áurea Liz
Elenco: Lucca Marques e Rafael Salmona

