23 de maio de 2026

O Diabo Veste Prada 2: sobre crescer sem perder a essência

Assisti O Diabo Veste Prada 2 com uma expectativa muito específica, queria reencontrar aquela Miranda Priestly impecável, quase intocável, símbolo de controle e poder absoluto. E, de certa forma, ela ainda está lá, mas o filme escolhe mostrar algo além. Uma Miranda mais vulnerável, que não diminui sua grandeza, mas revela o peso de sustentar esse lugar por tanto tempo.

No meio disso, a narrativa desacelera e em alguns momentos chega a ficar cansativa, como se o filme também estivesse tentando entender qual caminho seguir, assim como os próprios personagens. Talvez seja exatamente isso que cause essa sensação morna, porque não é mais sobre impacto imediato, e sim sobre transição.

O que mais me pegou foi a Andy Sachs. Ver que a Andy se tornou uma grande jornalista, ocupando seu espaço sem pedir permissão e tentando se reinventar sem perder quem ela é, me deixou genuinamente feliz. Eu sempre amei essa essência nela, esse olhar curioso, essa vontade de contar histórias, e perceber que isso floresceu com o tempo foi o que mais me conectou ao filme.

Saí do cinema pensando menos em moda e mais em marcas, não as que vestimos, mas as que construímos ao longo da vida. Sobre carreira, sobre escolhas e sobre o momento em que aquilo que te trouxe até aqui já não sustenta quem você está se tornando.

Talvez o filme não seja sobre moda. Talvez seja sobre quando você para de se adaptar ao jogo dos outros e começa a decidir qual jogo ainda faz sentido jogar, e sobre não esquecer quem você sempre quis ser.

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