“Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” estreia no Festival do Rio e revela transformação social em campo de refugiados no Malaui

Documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle acompanha quatro jovens refugiados congoleses que criaram um projeto de educação e transformação social dentro do campo de Dzaleka.
O cinema brasileiro volta seu olhar para uma realidade humanitária pouco conhecida do grande público com a estreia mundial de “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados”, documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e produzido por Iafa Britz. O longa integra a programação da Première Brasil do Festival do Rio 2026 e chega às telas contando a história de quatro jovens refugiados congoleses que encontraram na educação uma forma de transformar a realidade ao redor.
A produção acompanha Maick Mutej, Prince Kalolo, Felly B. Zihalirwa e Frank Donatien, moradores do campo de refugiados de Dzaleka, no Malaui. Juntos, eles desenvolveram o projeto educacional batizado de “Nação Ubuntu”, criado para atender pessoas que vivem em condições de extrema vulnerabilidade dentro do campo.
Mais do que registrar o cotidiano dos protagonistas, o documentário apresenta o contexto em que essa iniciativa surgiu. Os moradores de Dzaleka enfrentam restrições para deixar o campo, dificuldades relacionadas à documentação e ao reconhecimento de cidadania e obstáculos para exercer profissões. A obra também aborda a hostilidade enfrentada por parte da população local e amplia a discussão para a crise humanitária vivida em diferentes regiões do continente africano.
Entre os temas abordados pelo filme está a situação da República Democrática do Congo, país de origem dos quatro protagonistas, que enfrenta um longo cenário de conflitos e instabilidade. A partir das histórias individuais, “Nação Ubuntu” busca aproximar o público das consequências humanas desses processos.
Da missão humanitária ao cinema
A origem do documentário está ligada ao trabalho da Fraternidade Sem Fronteiras, ONG brasileira que atua em iniciativas humanitárias na África. O primeiro contato de Iafa Britz com o trabalho da organização aconteceu durante uma viagem a Moçambique, em 2015. Anos depois, em 2019, a produtora conheceu a atuação da instituição no Malaui e convidou Paulo Henrique Fontenelle para conhecer o projeto.
A visita acabou se transformando em uma proposta cinematográfica. Em março de 2020, Iafa, Fontenelle, o diretor de fotografia Julio Cesar Siqueira e Andrei Moreira, diretor voluntário da ONG, passaram dez dias no campo de Dzaleka. Foi nesse período que conheceram de perto o trabalho desenvolvido pelos quatro refugiados congoleses, ao lado da brasileira Clarissa Paz, que deixou o Brasil para se dedicar à missão humanitária no Malaui.
O projeto também contou com a consultoria de Renato Noguera, escritor e estudioso da causa negra e da história da África.
A produção, no entanto, precisou ser interrompida pela pandemia de Covid-19. As filmagens só foram retomadas cinco anos depois, com uma equipe ampliada e a participação de profissionais locais, que foram treinados e integrados ao processo de produção.
Com investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” é uma produção da Migdal Filmes e chega aos cinemas com distribuição da Downtown Filmes.
Estreia mundial acontece no Festival do Rio
O documentário terá sua primeira exibição nesta segunda-feira, 5 de outubro, às 18h45, no Centro Cultural FGV, dentro da Première Brasil do Festival do Rio.
No dia seguinte, 6 de outubro, o público poderá conferir o longa em duas sessões abertas. A primeira acontece às 18h, no CineCarioca José Wilker 1. Já às 19h, na Estação Claro Rio 5, a sessão será seguida de um debate com o diretor Paulo Henrique Fontenelle e Renato Noguera.
Após a passagem pelo Festival do Rio, “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” tem estreia nacional marcada para 12 de novembro de 2026.
Serviço — “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” no Festival do Rio 2026
5 de outubro — 18h45
Centro Cultural FGV — Première Brasil
6 de outubro — 18h
CineCarioca José Wilker 1 — sessão aberta ao público
6 de outubro — 19h
Estação Claro Rio 5 — sessão aberta ao público, seguida de debate com Paulo Henrique Fontenelle e Renato Noguera
Ingressos: disponíveis pela plataforma Ingresso.com
Estreia nacional: 12 de novembro de 2026.

