Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe transformam a menopausa em comédia no espetáculo “Mulheres em Chamas”

Montagem dirigida por Paula Cohen chega ao Teatro Bradesco, em São Paulo, com humor, relatos pessoais e reflexões sobre climatério, desejo, envelhecimento e amizade.
A menopausa ganha espaço no palco em “Mulheres em Chamas”, comédia criada e protagonizada por Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe, com direção de Paula Cohen. Após o sucesso de público, o espetáculo chega ao Teatro Bradesco, em São Paulo, no dia 10 de outubro, às 21h30, propondo uma conversa bem-humorada e sem tabus sobre as transformações físicas e emocionais que acompanham essa fase da vida.
A história começa quando três mulheres com mais de 40 anos ficam presas em um elevador. Durante 17 minutos sem sinal, ventilação ou filtros, o confinamento abre espaço para confissões, desabafos e situações inesperadas. Entre mudanças hormonais, inseguranças, relacionamentos, sobrecarga familiar e transformações no desejo, as personagens compartilham experiências que muitas vezes permanecem fora das conversas cotidianas.
Mais do que provocar risadas, a montagem busca tirar a menopausa da invisibilidade e abordar o tema com informação, leveza e honestidade emocional. Para a diretora Paula Cohen, o humor é uma ferramenta importante para aproximar o público de questões que ainda são cercadas por preconceitos e silêncios.
A encenação combina situações reconhecíveis do cotidiano com elementos de fantasia e surrealismo, transformando os efeitos do climatério em imagens cênicas inesperadas. A criação visual conta com vídeos do estúdio Bijari, figurinos de Iara Wisnik, iluminação de Marisa Bentivegna e trilha sonora original de André Caccia Bava.
Na dramaturgia, o próprio elevador assume um significado simbólico, representando a sensação de paralisação que pode acompanhar as mudanças dessa etapa da vida. “O elevador simboliza essa paralisia do climatério, que nos arrebata de repente. Mas, aos poucos, nos libertamos e, quando as portas se abrem, estamos mais conscientes”, comenta Camila Raffanti.
A identificação com o público também nasce da mistura entre experiências pessoais e ficção. Juliana Araripe destaca como o humor pode transformar vivências individuais em oportunidades de reconhecimento coletivo. “Tudo que é pessoal aproxima. O humor transforma tragédia em evolução. Existe o mundo real e o mundo hormonal e conseguimos brincar com os dois”, afirma.
Para Miá Mello, a própria experiência com os primeiros sintomas do climatério contribuiu para o desenvolvimento do projeto. A atriz conta que, inicialmente, chegou a confundir os sinais com jet lag, até perceber que estava vivenciando uma nova fase do corpo. A partir dessa experiência, surgiu também o desejo de ampliar o acesso à informação e criar um espaço de identificação por meio do teatro.
“Falar disso no teatro é oferecer ferramentas para atravessar esse período, que pode durar até 10 anos e ter mais de 70 sintomas”, explica Miá.
A amizade feminina é outro eixo importante da peça. Ao mostrar mulheres dividindo inseguranças, descobertas e mudanças, “Mulheres em Chamas” reforça a importância de encontrar acolhimento em outras pessoas e compreender que as transformações do corpo não precisam ser enfrentadas em silêncio.

“Estamos fazendo check in na senhora que queremos ser. E são as amigas que nos ajudam a atravessar essa fase sem achar que enlouquecemos de vez. Só um pouco”, brinca Juliana.
A proposta também é ampliar o diálogo para além das mulheres que estão passando pela menopausa. Ao incluir temas como envelhecimento, desejo, liberdade e relações afetivas, o espetáculo convida diferentes gerações e também os homens a participarem da conversa.
“Meu climatério começou aos 39. Rir disso é alívio e quero que os homens riam com a gente também”, afirma Camila.
Com situações absurdas, confissões e humor, “Mulheres em Chamas” transforma uma experiência frequentemente tratada como tabu em motivo para reflexão e aproximação. A montagem aposta na força das histórias compartilhadas para mostrar que falar sobre o climatério pode ser uma maneira de compreender melhor o próprio corpo, fortalecer vínculos e encarar as mudanças com mais liberdade.
SERVIÇO
Mulheres em Chamas — Teatro Bradesco
- Data: 10 de outubro de 2026 (sábado)
- Horário: 21h30
- Local: Teatro Bradesco — 3º piso do Bourbon Shopping São Paulo
- Endereço: Rua Palestra Itália, 500, Perdizes, São Paulo (SP)
- Ingressos: a partir de R$ 54, com possibilidade de parcelamento em até 12 vezes
- Vendas online: Uhuu.com
- Bilheteria oficial: Teatro Bradesco, no 3º piso do Bourbon Shopping São Paulo, sem taxa de serviço
- Informações: www.teatrobradesco.com.br

