Machete Bomb e Freitera lançam “Giroflex 2.0” e antecipam álbum colaborativo com crítica social e sonoridade experimental

Single conta com participação de Dow Raiz e marca o início da divulgação de “Mundo Cão”, projeto previsto para novembro
A banda curitibana Machete Bomb e o produtor Freitera deram início à divulgação do álbum colaborativo Mundo Cão com o lançamento de “Giroflex 2.0”, single disponibilizado nesta quarta-feira (1º). A faixa chega acompanhada de um lyric video e conta com a participação do rapper Dow Raiz.
Mais do que uma parceria inédita, a música revisita um dos principais trabalhos da Machete Bomb. Dez anos após o lançamento da versão original de “Giroflex”, o grupo apresenta uma releitura que atualiza sua mensagem sem perder a essência crítica que marcou a composição em 2016.
A nova versão aborda a violência policial e o racismo estrutural enfrentado principalmente pela população negra e periférica, transformando experiências pessoais dos artistas em um discurso direto sobre desigualdade e abuso de poder.
Segundo o vocalista Alienação Afrofuturista, a faixa nasce de vivências compartilhadas por ele e Dow Raiz.

“Tanto eu como o Dow Raiz tivemos inúmeras abordagens em nossas vidas. Essa nova versão de Giroflex não é só uma letra de rap. O refrão é potente assim como na original, mas tem o fator de sofrer abuso policial, tanto pela sua cor ou suas vestimentas. Esse é o espírito da coisa”, afirma.
Mistura de ritmos marca identidade do projeto
Musicalmente, “Giroflex 2.0” reúne elementos do Boom Bap, Rap, Reggae Dub e Rock, reforçando a proposta experimental que conduzirá Mundo Cão. A produção alterna batidas marcantes com atmosferas criadas por Freitera, culminando em um refrão intenso impulsionado pelo cavaquinho distorcido de Madu, marca registrada da Machete Bomb.
A combinação de um instrumento tradicional da música brasileira com sonoridades pesadas reforça a identidade do grupo, que há mais de uma década aposta em romper barreiras entre diferentes estilos musicais.

Para Freitera, o projeto representa a realização de um objetivo antigo de unir diferentes vertentes da música urbana em um único trabalho.
“Esse projeto é importante visando essas conexões, muita gente talentosa junto, fazendo música sem rédea. Sempre tive o sonho de produzir algo assim, que simplesmente tentar colocar numa caixinha diminuiria a grandiosidade do projeto”, destaca.
Já Madu acredita que o primeiro single oferece um panorama do caminho que será seguido pelo álbum.
“Quisemos dar uma cara nova, com um olhar mais atual e a produção do Freitera modernizando a track. Essa daí sendo a primeira, é o que traz o tempero. Dá pra pegar de onde veio, como soava o Machete, e pra onde a gente tá indo.”

“Mundo Cão” promete ampliar experimentações
Produzido de forma independente por Madu e Freitera, com masterização assinada por Jvck, o álbum Mundo Cão chega em novembro com a proposta de aprofundar a mistura entre Rap, Rock, Reggae e ritmos brasileiros, apostando na experimentação e na originalidade como pilares do projeto.
A expectativa é apresentar um trabalho que valorize diferentes referências musicais sem seguir fórmulas pré-estabelecidas, conectando artistas, estilos e narrativas em uma mesma obra.
Fundada em 2013, a Machete Bomb se consolidou na cena independente por sua sonoridade singular, que substitui a guitarra tradicional pelo cavaquinho distorcido e mistura elementos do Rap, Samba e Rock. Ao lado da experiência de Freitera, produtor responsável por centenas de lançamentos e colaborações com grandes nomes da música urbana brasileira, o grupo prepara um dos projetos mais ousados de sua trajetória.
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