7 de junho de 2026

Exposição sobre a história do funk em São Paulo pode ser encerrada antes do previsto

Foto: Divulgação

A exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, atualmente em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, enfrenta a possibilidade de ter sua temporada encerrada antes do previsto. Inicialmente programada para permanecer aberta ao público até agosto de 2026, a mostra pode deixar de receber visitantes já neste domingo (31).

A situação surgiu após uma representação apresentada pelo deputado estadual Tenente Coimbra (PL-SP) ao Ministério Público de São Paulo. O parlamentar questiona conteúdos presentes na exposição, argumentando que algumas obras exibiriam elementos relacionados à chamada “narcocultura”, além de cenas que, segundo ele, fariam referência ao tráfico de drogas e à sexualidade presente em bailes funk.

A iniciativa também levou à convocação do IDBrasil, organização responsável pela gestão do museu, para prestar esclarecimentos à Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Nos bastidores, informações apontam que algumas peças da exposição teriam sido remanejadas e determinados conteúdos audiovisuais retirados temporariamente de exibição após o início da controvérsia. Até o momento, não há definição oficial sobre a continuidade da mostra até o prazo originalmente estabelecido.

A movimentação gerou reações entre pesquisadores, artistas e representantes do setor cultural, que enxergam a medida como mais um episódio de estigmatização do funk. Para estudiosos do gênero, o debate reacende discussões antigas sobre a forma como manifestações culturais oriundas das periferias brasileiras são tratadas pelas instituições.

A preocupação também alcançou participantes da exposição. Alguns artistas envolvidos no projeto avaliam que a presença do funk em espaços culturais tradicionais ainda representa uma conquista recente e que situações como essa evidenciam os desafios enfrentados pelo movimento.

Criada originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR), a exposição foi idealizada por uma equipe formada por pesquisadores, produtores culturais e nomes ligados à história do funk. Após uma temporada de grande sucesso no Rio de Janeiro, onde registrou forte presença de público, a mostra também passou pela França antes de desembarcar na capital paulista.

A edição em cartaz em São Paulo reúne 473 obras, incluindo fotografias, pinturas, vídeos e documentos históricos que ajudam a contar a trajetória do funk como expressão cultural das periferias e favelas brasileiras.

Além de destacar a relevância artística do gênero, a exposição aborda seu impacto social, político e linguístico ao longo das últimas décadas. O reconhecimento institucional do movimento ganhou um novo capítulo em 2024, quando foi sancionada a lei que criou o Dia Nacional do Funk, celebrado anualmente em 12 de julho.

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