EXCLUSIVO: ZUMBICORE transforma amor, desejo e vingança em caos pop no novo álbum

Com seis faixas, “Amor Intenso” une funk bruxaria, estética camp e uma narrativa provocadora para explorar os sentimentos em suas formas mais exageradas.
O amor nem sempre é delicado — e ZUMBICORE sabe disso. Em seu novo álbum, “Amor Intenso”, o artista transforma sentimentos como paixão, raiva, desejo, mágoa e vingança em uma experiência musical tão irreverente quanto provocadora. Em material enviado exclusivamente ao CG Do Pop, ZUMBICORE apresenta um projeto construído ao longo de um ano e que aposta no exagero como parte essencial de sua identidade.

Com seis faixas, o álbum passeia por diferentes estados emocionais sem a preocupação de oferecer respostas. Pelo contrário: a proposta é levantar perguntas, provocar reações e colocar o ouvinte diante de sentimentos que, embora apresentados de maneira caricata e irreverente, são reconhecíveis.
“Sem concluir nenhum dos pensamentos que ele aborda, o álbum tem como intenção mais levantar perguntas do que responder. Chocar pelo exagero e pela intensidade. Colocar o ouvinte num lugar muito próximo ao dos artistas, mostrando que o que nos torna semelhantes são os nossos sentimentos.”
A identidade do projeto começa pela própria capa. Nela, ZUMBICORE aparece chorando, com uma expressão de tristeza e desapontamento, mas as lágrimas fogem do convencional e ganham uma representação gráfica que mistura vulnerabilidade, desejo e estranhamento.
A imagem resume a proposta de “Amor Intenso”: existe emoção, sensualidade e humor, mas tudo é apresentado de maneira exagerada, quase teatral. É justamente nessa mistura que entra o conceito camp, explorado pelo artista tanto visualmente quanto na construção das músicas.

Um mergulho no funk bruxaria
A sonoridade do álbum tem como fio condutor o funk bruxaria, gênero que permite a ZUMBICORE construir uma atmosfera caótica do ponto de vista estético, mas coesa dentro da proposta do projeto.
Ao longo do processo criativo, o artista passou por diferentes estúdios, incluindo espaços da Universal Music Brasil, mas teve como principal base o home studio do DJ Syncr0, na Zona Leste de São Paulo.
A produção foi construída de maneira colaborativa, com ZUMBICORE participando ativamente da direção criativa e cada elemento sendo pensado para reforçar a narrativa do álbum. O resultado incorpora referências do imaginário popular brasileiro, elementos de cultura de internet e referências sonoras que ajudam a criar o universo particular do projeto.

O disco também não se limita a uma única atmosfera. Há momentos mais sombrios, faixas voltadas para a pista, referências à cultura ballroom e músicas que exploram de maneira provocadora temas ligados à sexualidade, relações e desilusões.

Faixa a faixa
A jornada começa com “ORAÇÃO DO ROLÊ (INTRO)”, faixa que funciona como uma espécie de ritual de entrada para o universo do álbum. ZUMBICORE mistura referências à Hécate, divindade associada à noite, às encruzilhadas e aos portais, com elementos da cultura dos bailes e das noites paulistas.
Na sequência, “PERIGO NOTURNO” mergulha em uma atmosfera mais sombria. A produção brinca com contrastes entre graves sintéticos e sons agudos, criando a sensação de que existe algo errado prestes a acontecer. A faixa foi idealizada pela DJ HTA BASS e ganhou nova roupagem com coprodução de DJ Syncr0.
Já “DOUTORADO EM PIROCA” assume de vez o lado mais irreverente do projeto. Com uma produção marcada por um beat fácil de memorizar e referências à cultura ballroom, a faixa trabalha a sexualidade a partir do humor e do exagero, dialogando diretamente com a personalidade que ZUMBICORE construiu em sua discografia.
O lado mais intenso aparece em “EU VOU COMER SEU PAI”, faixa que transforma mágoa e vingança em uma narrativa exagerada. Produzida integralmente por DJ Syncr0, com direção criativa de ZUMBICORE, a música também ganha um videoclipe gravado no mesmo quarto de motel utilizado para a produção da capa do álbum, ampliando a conexão entre o universo visual e sonoro do projeto.
Um dos momentos mais pessoais chega com “MANDRAKITTY 2”, colaboração com PAMKA. A nova versão da faixa nasce como um presente para a comunidade transmasculina e incorpora elementos de vogue, além de novos versos de Mlk de Mel e Flóki, integrantes do duo.
Para ZUMBICORE, a música também representa um reencontro com uma faixa que marcou sua trajetória. O artista regravou seus próprios versos para apresentar uma nova perspectiva da composição, enquanto a participação de PAMKA subverte a narrativa original e direciona a faixa para outro contexto.
Fechando o álbum está “EU PEGO FEIO”, parceria com MC ERIKAH. A faixa assume uma proposta mais comercial e dançante, mantendo a essência do funk bruxaria. A música brinca com expectativas relacionadas à aparência e aos relacionamentos e aposta no humor para questionar a ideia de que apenas pessoas dentro de determinados padrões seriam capazes de proporcionar experiências marcantes.
Com versos criados especialmente para o projeto, MC ERIKAH participa do encerramento de “Amor Intenso”, que termina mantendo a mesma irreverência apresentada desde a primeira faixa.

Um álbum que não quer ser comportado
Mais do que contar uma história linear, “Amor Intenso” constrói um universo. O projeto aproxima o público de sentimentos considerados vulneráveis e os transforma em algo exagerado, divertido, desconfortável e, em alguns momentos, sedutor.
A estética provocadora de ZUMBICORE aparece tanto nos visuais quanto nas músicas, criando uma identidade que aposta no choque, no humor e na intensidade. O artista transforma experiências relacionadas ao amor, desejo, frustração e vingança em um trabalho que não tenta esconder suas contradições.

É justamente aí que está a força do projeto: “Amor Intenso” não quer ser comportado — quer provocar.
Com o funk LGBT+ ocupando o centro da narrativa, ZUMBICORE apresenta um trabalho que mistura pista, teatralidade, referências brasileiras e uma estética assumidamente exagerada para falar sobre aquilo que existe por trás de qualquer personagem: os sentimentos.
“Amor Intenso” chega como um projeto para ouvir, estranhar, dançar e, principalmente, sentir.






