FBC transforma a infância em ponto de partida para discutir desigualdade no EP “Skarnaval”

Com cinco faixas e participação de Fernanda Takai, projeto inaugura uma narrativa musical sobre as fases da vida, unindo ska, humor e crítica social.
E se as perguntas que fazemos na infância fossem o começo de uma compreensão mais profunda sobre o mundo? É a partir dessa ideia que FBC apresenta “Skarnaval”, projeto que transforma diferentes etapas da vida de um brasileiro em uma narrativa musical sobre descobertas, amadurecimento e consciência de classe. O primeiro capítulo chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 9 de outubro, com um EP de cinco faixas distribuído pela ONErpm.
Com uma sonoridade marcada pelo ska e uma abordagem que combina humor, afeto e crítica social, o trabalho acompanha um personagem desde a infância até a vida adulta. A proposta é observar como situações cotidianas, inicialmente percebidas com a curiosidade e a espontaneidade de uma criança, ganham novos significados conforme a experiência de vida se amplia.
Depois de lançar dois álbuns de caráter mais político e um trabalho voltado ao punk, FBC escolhe um caminho sonoro diferente para dar vida à nova narrativa. A intenção é construir uma obra mais leve musicalmente, sem abandonar os questionamentos que atravessam sua produção.
“Skarnaval” nasce justamente do desejo de recuperar aquela curiosidade infantil que faz a criança perguntar o porquê de tudo. Para o rapper, essa disposição para questionar o mundo pode se perder ao longo da vida, e o projeto busca acompanhar o processo pelo qual essas perguntas se transformam em percepções mais complexas sobre a realidade.

Fernanda Takai participa de manifesto infantil
O principal destaque deste primeiro capítulo é “Greve das Crianças”, faixa que conta com a participação especial de Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu. A música parte das reclamações e fantasias infantis para imaginar uma revolta bem-humorada contra as regras impostas pelos adultos.
Entre as reivindicações apresentadas estão o direito de ir fantasiado para a escola, a inclusão de videogame como matéria obrigatória, cinco finais de semana por semana e até a proibição mundial das segundas-feiras. A brincadeira, porém, esconde uma reflexão sobre a rotina familiar e a relação entre trabalho e tempo livre.
Na narrativa de FBC, a criança começa a perceber que os pais chegam cansados em casa e nem sempre conseguem dedicar tempo às brincadeiras. Sem compreender ainda as estruturas econômicas e sociais por trás dessa realidade, ela identifica a ausência e tenta encontrar uma maneira de mudar a situação.
É nesse contraste que a faixa ganha profundidade: o que parece apenas uma lista divertida de desejos infantis também funciona como uma das primeiras pistas da crítica social desenvolvida ao longo de “Skarnaval”.

Do questionamento infantil à consciência de classe
A escolha de começar o projeto pela infância não é aleatória. Para FBC, essa etapa representa o momento em que o personagem começa a observar as circunstâncias ao seu redor, mesmo sem conseguir compreender completamente suas causas.
Ao longo da narrativa, essas percepções amadurecem junto com o protagonista. O cansaço dos pais, a falta de tempo para o lazer e as experiências vividas em família funcionam como pontos de partida para questionamentos que, mais adiante, se conectam ao mundo do trabalho e à desigualdade social.
A consciência de classe, portanto, não surge de maneira imediata. Ela é construída aos poucos, acompanhando as transformações do personagem e sua capacidade de relacionar as experiências pessoais às estruturas que organizam a sociedade.
Musicalmente, o ska funciona como fio condutor dessa jornada, aproximando a obra da energia festiva do carnaval de rua e da cultura popular brasileira. A combinação entre ritmo, humor e reflexão permite que o projeto trate de temas sociais sem abrir mão da leveza que caracteriza esse primeiro momento da história.
“Skarnaval” continua nos próximos meses
O lançamento de outubro inaugura uma narrativa que será desenvolvida em outras etapas. Em novembro, FBC apresenta um segundo EP dedicado à adolescência, fase em que o personagem passa por novos conflitos, experiências e descobertas.
Em dezembro, a trajetória ganha continuidade com o álbum Skarnaval, que reunirá as músicas dos dois EPs e novas faixas voltadas à vida adulta, completando o percurso proposto pelo artista.
Todas as faixas do primeiro EP também ganham visualizers animados, que serão disponibilizados no canal oficial de FBC no YouTube.
Com “Skarnaval”, FBC transforma as diferentes fases da vida em matéria-prima para uma narrativa que parte da curiosidade infantil e avança em direção a questionamentos sobre a realidade brasileira. Entre o ska e a crítica social, o projeto propõe olhar para as pequenas experiências do cotidiano e perceber como elas ajudam a formar a maneira como entendemos o mundo.
“Skarnaval” chega às plataformas digitais em 9 de outubro, via ONErpm.

