AfroExplo retoma desfile após dez anos e promove campanha para arrecadar calçados

Iniciativa do Instituto Cultural Congo Nya busca doações de peças novas para compor coleção que será apresentada em novembro, durante o Mês da Consciência Negra.
Depois de uma pausa de uma década, o AfroExplo – Desfile de Moda Afro se prepara para voltar à passarela em uma edição especial. Criado em 2002 pelo Instituto Cultural Congo Nya, o projeto retoma suas atividades em 2026 com uma coleção que une moda, identidade, ancestralidade e cultura afro-brasileira.
Para viabilizar a produção, o Instituto lançou uma Campanha de Doação de Calçados, que busca arrecadar peças novas para integrar os looks da coleção. A iniciativa recebe doações até 31 de outubro e procura parceiros, empresas, marcas e pessoas físicas interessados em contribuir para a realização do projeto.
Entre os itens solicitados estão tênis, sapatos e sandálias novos, em modelos e numerações específicas. Os calçados serão posteriormente transformados por meio de intervenções artísticas inspiradas na estética afro-urbana e ganharão espaço na coleção que será apresentada no dia 14 de novembro, em São Sebastião, no Distrito Federal.
A proposta vai além da composição dos figurinos. Cada peça doada será incorporada à narrativa visual do desfile, estabelecendo uma conexão entre criatividade, identidade e ancestralidade.
Uma retomada marcada pela cultura afro-brasileira
O retorno do AfroExplo acontece dez anos depois de sua última edição e representa uma nova etapa para um projeto criado com o objetivo de valorizar a cultura afro-brasileira por meio da moda, da arte e da formação.
Com recursos limitados para esta edição especial, a campanha de arrecadação surge como uma forma de ampliar a rede de colaboradores e tornar possível a produção da nova coleção.
A iniciativa também se conecta ao propósito de fortalecer a economia criativa e dar visibilidade a diferentes expressões da cultura negra por meio da moda.
Literatura brasileira inspira nova coleção
Para desenvolver a coleção de 2026, a estilista Margot Ribeiro buscou referências em obras da literatura brasileira que apresentam diferentes retratos da sociedade, especialmente aqueles relacionados à cultura popular, às periferias, às desigualdades e às experiências da população negra.
Entre as inspirações estão “Tenda dos Milagres” e “Jubiabá”, de Jorge Amado, “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, e “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo.
A partir dessas narrativas, a estilista investiga diferentes maneiras de vestir e de representar os corpos, os saberes e as experiências presentes na sociedade brasileira.
“Essas narrativas mostram que a roupa não serve apenas para cobrir o corpo. Ela também comunica identidade, condição social, memória, resistência e pertencimento”, explica Margot Ribeiro.
Moda como memória e expressão
A nova edição do AfroExplo transforma a moda em uma ferramenta de expressão cultural. A coleção pretende aproximar referências literárias, estética afro-urbana e elementos da ancestralidade para construir uma narrativa visual sobre identidade e pertencimento.
Nesse contexto, os calçados arrecadados também deixam de ser apenas acessórios e passam a fazer parte do processo criativo da coleção, recebendo intervenções que dialogam com a proposta artística do desfile.
O resultado poderá ser conferido em 14 de novembro, durante o Mês da Consciência Negra, quando o AfroExplo retorna à passarela após dez anos levando ao público uma nova coleção construída a partir da cultura, da memória e da criatividade negra.

