11 de outubro de 2026

Claudio Fontana estreia “A Raiz”, monólogo de Newton Moreno sobre identidade, pertencimento e resistência

Crédito da foto: Renata Monteiro

Espetáculo dirigido por Elias Andreato chega ao Teatro Sérgio Cardoso em 24 de outubro e acompanha a trajetória de um menino em busca de sua identidade em meio ao preconceito e à intolerância.

A busca por descobrir quem se é, encontrar pertencimento e ter liberdade para viver a própria identidade está no centro de “A Raiz”, novo monólogo escrito por Newton Moreno, um dos nomes de destaque da dramaturgia brasileira contemporânea. Protagonizado por Claudio Fontana e dirigido por Elias Andreato, o espetáculo estreia em São Paulo no dia 24 de outubro, no Teatro Sérgio Cardoso, onde permanece em cartaz até 29 de novembro.

A montagem parte da trajetória de um menino andrógino que cresce atravessado por questionamentos sobre sua sexualidade, o amor e o preconceito. Em cena, a personagem-narradora conduz o público por um caminho de descoberta e enfrentamento, até compreender a própria identidade e lidar com as possibilidades de aceitação — ou rejeição — por parte da família e da sociedade.

Mais do que apresentar uma história marcada pelo preconceito, “A Raiz” busca construir uma narrativa de afirmação. O texto nasceu de uma inspiração encontrada por Newton Moreno em um povo andino no qual as mulheres eram responsáveis pelo plantio. A relação com a terra e com a força feminina levou o dramaturgo a aproximar essa imagem do universo LGBTQIAPN+ e a criar uma fábula sobre identidade, reconhecimento e pertencimento.

“Quis construir uma história, que ainda que venha atravessada de violências, seja afirmativa, solar, para nos dar força, futuro, saídas”, explica Newton Moreno.

A escolha do título também carrega esse simbolismo. Na dramaturgia, a terra aparece como espaço de memória e transformação, enquanto a raiz representa a conexão do personagem com aquilo que existe em sua essência. A proposta é refletir sobre o direito de existir plenamente, mesmo diante das pressões impostas pela sociedade.

Para Elias Andreato, a montagem trata justamente do nascimento de algo transformador quando alguém encontra coragem para assumir quem é. Na direção, o elemento da terra ganha dimensão poética e se relaciona diretamente com identidade, resistência e renascimento.

Claudio Fontana, por sua vez, destaca a força da natureza como elemento central da narrativa. Para o ator, a mensagem de “A Raiz” está na compreensão de que o preconceito não pode ser maior do que a capacidade humana de amar e existir.

Crédito da foto: Renata Monteiro

Uma parceria que atravessa décadas

“A Raiz” também marca mais um encontro entre Claudio Fontana e Elias Andreato. Os dois artistas possuem uma trajetória conjunta de dez espetáculos, consolidando uma parceria construída ao longo dos anos no teatro.

Entre os trabalhos realizados pela dupla estão “Adivinhe Quem Vem Para Rezar”, “Mãe é Karma”, “Um Réquiem para Antônio”, “Esperando Godot”, “Édipo Rei”, “Amigas, Pero No Mucho”, “Estado de Sítio”, “Andaime”, “A Última Sessão de Freud” e “Primeiro Hamlet”.

Agora, a parceria ganha uma nova camada com um texto inédito de Newton Moreno, transformando o palco em espaço para discutir identidade e pertencimento por meio de uma narrativa que aposta na poesia e na delicadeza.

Crédito da foto: Renata Monteiro

Newton Moreno: uma trajetória marcada pela dramaturgia brasileira

Natural de Recife, Newton Moreno é bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp e mestre e doutor em Artes Cênicas pela USP. Ao longo da carreira, construiu uma produção marcada pela investigação de temas ligados à memória, identidade e experiência humana.

Entre seus trabalhos estão “Agreste”, peça que lhe rendeu os prêmios Shell e APCA de Melhor Autor em 2004, “Memória da Cana”, “As Centenárias”, “Maria do Caritó”, “O Livro”, “Jacinta”, “O Grande Circo Místico” e “As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão”, vencedora do Prêmio APCA de Melhor Texto.

Moreno também atua como roteirista no cinema e na televisão. Entre seus trabalhos estão os filmes “Maria do Caritó” e “Agreste”, além de projetos desenvolvidos para a televisão, incluindo colaboração em “A Grande Família” e a criação da série “A Morte Amo”.

Crédito da foto: Renata Monteiro

Claudio Fontana volta ao centro do palco

Com uma carreira consolidada no teatro, Claudio Fontana encontrou nas artes cênicas seu principal caminho profissional depois de se formar em Economia e Administração de Empresas pela FEA-USP.

O ator iniciou sua trajetória nos palcos em 1984 e, desde então, participou de montagens como “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”, “A Guerra Santa”, “Mary Stuart”, “Pérola”, “Camila Baker”, “Feliz Ano Velho”, “Pólvora e Poesia”, “Calígula”, “Macbeth”, “Esperando Godot”, “Boca de Ouro”, “Estado de Sítio” e “A Última Sessão de Freud”.

Em 1991, recebeu o prêmio APETESP de Ator Revelação por “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”. Na televisão, também passou por novelas e minisséries como “Deus nos Acuda”, “Fera Ferida”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “A Pequena Travessa”, “Um Só Coração”, “América”, “Ciranda de Pedra” e “I Love Paraisópolis”.

Em “A Raiz”, Fontana assume sozinho o palco para conduzir o público pela história de um personagem que precisa enfrentar o olhar externo até conseguir escutar a própria essência.

Serviço

A Raiz

Teatro Sérgio Cardoso – São Paulo
De 24 de outubro a 29 de novembro
Sábados e domingos
18h30
Texto: Newton Moreno
Atuação: Claudio Fontana
Direção: Elias Andreato

Crédito da foto: Renata Monteiro

Gustavo Farias

Me chamo Gustavo Farias, tenho 24 anos e sou formado em Jornalismo. Criei este site porque sou apaixonado por cultura pop, música, festivais, séries e filmes. O meu objetivo é levar o máximo de informações e conteúdos de qualidade para todos que compartilham desse universo. Espero que vocês acompanhem essa nova jornada e façam parte desse projeto que está chegando para trazer muita informação, novidades e entretenimento. Conto com o apoio de todos vocês!

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