11 de outubro de 2026

Alice Birch ganha primeira montagem brasileira com espetáculo que confronta estruturas patriarcais

Foto: Divulgação

“Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.” estreia em São Paulo com direção de Fernando Vilela e investiga diferentes formas de violência de gênero.

A dramaturgia de uma das vozes mais provocadoras do teatro contemporâneo britânico chega pela primeira vez aos palcos brasileiros. “Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.”, da dramaturga Alice Birch, estreia em São Paulo no dia 3 de novembro, em montagem da Verve Cia, com tradução e direção de Fernando Vilela.

O espetáculo fica em cartaz até 2 de dezembro, no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, com sessões às terças e quartas-feiras, sempre às 20h.

Conhecida por uma escrita que rompe estruturas tradicionais e coloca relações de poder no centro de suas obras, Birch propõe em “Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.” uma dramaturgia que não segue uma narrativa linear convencional.

Em cena, uma sequência de ações intensas e interligadas atravessa temas como sexo, casamento, trabalho, corpo e família, desmontando estruturas sociais para investigar as forças que moldam a existência das mulheres e os impactos da opressão em suas vidas.

Uma dramaturgia construída pelo acúmulo

Em vez de conduzir o público por uma história tradicional, a peça trabalha com repetições, sobreposições e situações que se conectam sem necessariamente oferecer uma resolução imediata.

Para o diretor Fernando Vilela, essa característica da dramaturgia de Birch ganha uma dimensão ainda mais significativa quando colocada em diálogo com a realidade brasileira.

“Na dramaturgia de Birch, as repetições e sobreposições, sem um fechamento imediato, refletem uma ideia central de não haver resolução, e sim acúmulo. Essa lógica dramatúrgica encontra um espelho inquietante na realidade brasileira contemporânea, onde as violências de gênero deixaram de ser exceções isoladas e se manifestam como padrões que atravessam instituições, discursos e corpos”, explica.

A montagem também investiga diferentes manifestações da violência de gênero, passando tanto por formas explícitas quanto por mecanismos mais sutis e sistemáticos que ajudam a manter estruturas de desigualdade.

A partir dessas questões, o espetáculo estabelece diálogo com diferentes momentos do pensamento feminista, de reivindicações históricas relacionadas aos direitos civis até discussões contemporâneas sobre interseccionalidade e justiça social.

Alice Birch chega aos palcos brasileiros

A estreia marca a primeira vez que um texto teatral de Alice Birch é montado no Brasil. Nascida no Reino Unido, a dramaturga é reconhecida internacionalmente por uma produção que combina experimentação formal e discussões sobre relações humanas, gênero e poder.

Birch ganhou destaque com “Anatomy of a Suicide”, de 2017, obra que acompanha diferentes gerações de uma família e recebeu reconhecimento da crítica e importantes premiações, incluindo o British Critics’ Circle Theatre Award de Melhor Nova Peça.

Sua produção teatral também inclui trabalhos como “We Want You to Watch”, “Ophelias Zimmer” e “Romans: A Novel”.

A autora ainda possui uma trajetória expressiva no cinema e na televisão. Entre seus trabalhos estão os roteiros de “Lady Macbeth” (2016), “Mothering Sunday” (2021), “The Wonder” (2022) e “Die My Love” (2025), dirigido por Lynne Ramsay e estrelado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson.

Na televisão, Birch participou de produções como “Normal People” e “Dead Ringers”, protagonizada por Rachel Weisz.

Verve Cia aposta no diálogo com a contemporaneidade

A montagem integra a pesquisa desenvolvida pela Verve Cia, que desde 2018 trabalha na construção de um repertório voltado à relação entre indivíduo e mundo.

Ao longo de sua trajetória, a companhia tem investigado temas ligados à violência, questões identitárias, problemas sociais e diferentes possibilidades de linguagem teatral.

Com “Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.”, essa pesquisa encontra uma dramaturgia que desafia tanto a estrutura tradicional do teatro quanto a forma como o público é convidado a refletir sobre questões sociais.

No palco, Ariel Rodrigues, Dani Aoki, Fernanda Paixão, Filipe Augusto, Giovanna Ueda, Júlia Caterina e Malú Lomando integram o elenco da primeira montagem brasileira da obra.

Com 100 minutos de duração e classificação indicativa de 16 anos, o espetáculo propõe uma experiência teatral que não busca respostas fáceis, mas coloca o público diante de estruturas que continuam atravessando relações, instituições e corpos.

SERVIÇO

Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.

Temporada: 3 de novembro a 2 de dezembro de 2026
Sessões: terças e quartas, às 20h
Local: Teatro do Núcleo Experimental – Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo/SP
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada), à venda pela Sympla
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos
Capacidade: 90 lugares

Ficha técnica

Texto: Alice Birch
Direção e tradução: Fernando Vilela
Elenco: Ariel Rodrigues, Dani Aoki, Fernanda Paixão, Filipe Augusto, Giovanna Ueda, Júlia Caterina e Malú Lomando
Luz: Gabryel Matos
Preparação vocal: Malú Lomando
Direção de arte: Fernando Vilela
Foto: Fernando Tavares
Produção executiva: Fernanda Paixão e Dani Aoki
Assessoria de imprensa: Angelina Colicchio e Diogo Locci – Pevi 56
Realização: Verve Cia

Gustavo Farias

Me chamo Gustavo Farias, tenho 24 anos e sou formado em Jornalismo. Criei este site porque sou apaixonado por cultura pop, música, festivais, séries e filmes. O meu objetivo é levar o máximo de informações e conteúdos de qualidade para todos que compartilham desse universo. Espero que vocês acompanhem essa nova jornada e façam parte desse projeto que está chegando para trazer muita informação, novidades e entretenimento. Conto com o apoio de todos vocês!

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