20 de setembro de 2026

FLIMA 2026 debate memória negra, ancestralidade e histórias apagadas em Santo Antônio do Pinhal

A FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira acontece entre os dias 3 e 7 de setembro, em Santo Antônio do Pinhal (SP), com uma programação gratuita dedicada à literatura, memória e às narrativas que ajudaram a construir — e também foram apagadas — da história brasileira.

Com o tema “PASSADOPRESENTE”, a edição de 2026 propõe uma reflexão sobre como o passado continua influenciando o presente e os futuros que podem ser imaginados. A programação reúne escritores, artistas, pesquisadores e intelectuais negros em debates sobre racismo, ancestralidade, identidade, feminismo negro, juventude, educação, território e apagamento histórico.

Entre os nomes confirmados estão Marcelo D’Salete, Cidinha da Silva, Rosane Borges, Jeferson Tenório, Sirlene Barbosa, Bel Santos Mayer, Bruno Rodrigues de Lima, Cibele Tenório, Lígia Moreli, Rômulo Fróes, Geni Núñez, Fabiana Carneiro, Maria Carolina Casati e o Sarau das Pretas.

Homenageado desta edição, o quadrinista Marcelo D’Salete, autor de Cumbe, participa no sábado (5) da mesa “Quadros da nossa história”, que discute o uso dos quadrinhos como ferramenta para preservar memórias e reconstruir perspectivas sobre a história do Brasil.

A programação também aborda o apagamento de figuras negras importantes da história nacional. No domingo (6), o historiador Bruno Rodrigues de Lima e a jornalista e pesquisadora Cibele Tenório participam da mesa “Vidas (re)inventadas”, dedicada às trajetórias de Luiz Gama e Almerinda Gama.

A produção de mulheres negras ganha destaque com Cidinha da Silva e Rosane Borges, que discutem escrita, memória e insurgência na mesa “Borboletas que insurgem: escrita de mulheres negras”. Já a relação entre maternidade e escrevivência será debatida por Fabiana Carneiro e Ronaldo Vitor da Silva, a partir da obra Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.

A abertura do festival, no dia 3, fica por conta do Sarau das Pretas, que apresenta “Encontros de Realezas – Yabás”, celebrando dez anos da coletiva e reverenciando figuras como Nanã, Oxum, Iemanjá e Iansã.

A juventude negra também estará no centro dos debates com Jeferson Tenório e Natália Zuccala, que discutem raça, classe, território, pertencimento e os impactos subjetivos da ocupação de espaços historicamente negados à população negra.

Outro destaque é a homenagem a Elza Soares. No domingo (6), a mesa “Elza Soares: a voz do feminismo negro” reúne Lígia Moreli e Rômulo Fróes para discutir a trajetória da cantora e sua produção artística marcada pelo enfrentamento ao racismo, machismo e desigualdade social.

O festival ainda propõe uma reflexão sobre ancestralidade e descolonização dos afetos, com participação de Geni Núñez, além do espetáculo Noite de brinquedo no terreiro de Yayá, do Coletivo Clã do Jabuti, que encerra a programação principal.

Com a proposta de colocar a memória no centro do debate, a FLIMA 2026 reforça a literatura como instrumento de preservação, reconstrução e disputa de narrativas. A programação busca questionar quais histórias foram esquecidas e quais precisam ser recuperadas para que novos futuros possam ser imaginados.

A FLIMA 2026 acontece de 3 a 7 de setembro, em Santo Antônio do Pinhal (SP). A programação é gratuita, com retirada antecipada de ingressos pelo site oficial do festival.

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