Priscilla transforma duas décadas de carreira em “ECO”, álbum que marca sua nova era independente

Com dez faixas inéditas, projeto mergulha nas raízes da artista no R&B e coloca sua potência vocal no centro de uma fase marcada por liberdade, propósito e controle sobre a própria arte
Depois de duas décadas de carreira, Priscilla abre um novo capítulo de sua trajetória com “ECO”, seu novo álbum de estúdio e o primeiro trabalho realizado de forma 100% independente. O projeto chegou às plataformas digitais nesta quinta-feira (13), às 21h, acompanhado pelo videoclipe de “Nosso Lugar”, faixa escolhida como foco do disco.
Mais do que um novo álbum, ECO representa para Priscilla um momento de retomada do controle sobre sua própria trajetória. Sem uma grande estrutura por trás das decisões criativas, a cantora e compositora assume a condução do projeto e transforma sua voz — em todos os sentidos — no principal fio condutor da obra.
O conceito do disco parte justamente dessa ideia: Priscilla é a voz, enquanto suas músicas funcionam como ecos capazes de alcançar lugares onde sua presença física não chegaria. Ao longo das dez faixas, a artista busca deixar que a música fale por si e coloque sua identidade artística em primeiro plano.
Um álbum que nasceu sem planejamento
O processo de criação de ECO começou de maneira espontânea. O encontro com o produtor Laudz deu origem à primeira música do projeto, “Não Testa”, e, a partir dali, novas canções foram surgindo até que Priscilla percebeu que havia ali o início de um álbum.
“Na primeira vez que nos conhecemos no estúdio, fizemos a primeira música do álbum, ‘Não Testa’. Os meses foram se passando, começamos a trabalhar em muitas músicas, e aí que a minha intenção de gravar um álbum nasceu”, conta a artista.
Segundo Priscilla, a conexão entre as canções foi o que fez o projeto ganhar forma. Para ela, as músicas valorizavam sua voz e apresentavam a potência que desejava explorar nesta nova fase.
“Eram músicas que valorizavam muito a minha voz, que traziam toda a potência que eu queria mostrar e que tinham muita alma. A parte mais legal é que, de fato, foi tudo sem pretensão e o resultado foi como se a gente tivesse planejado cada detalhe por anos”, completa.
R&B, grandes vozes e músicas para cantar junto
Musicalmente, ECO revisita uma das bases da identidade de Priscilla: o R&B. O gênero aparece acompanhado por referências de grandes vozes femininas do pop e das baladas internacionais, criando um repertório pensado para explorar melodias extensas, refrões marcantes e interpretações vocais mais performáticas.
A proposta é fazer com que o público não apenas escute as músicas, mas também tenha vontade de cantá-las.
“São músicas que dão vontade de cantar no chuveiro, que te fazem se sentir num palco. Eu queria músicas que trouxessem essa sensação, com muita melodia, notas longas, que realmente despertassem o desejo de gritar cada palavra”, explica.
Essa característica faz com que a voz ocupe um espaço central no álbum. Em vez de funcionar apenas como uma ferramenta para conduzir as melodias, ela se torna parte fundamental da narrativa de ECO.
O propósito por trás de “ECO”
O novo trabalho também apresenta uma mudança na maneira como Priscilla enxerga a própria arte. Se projetos anteriores foram marcados por diferentes conceitos visuais e fases de sua carreira, agora a artista busca descentralizar a figura de Priscilla para colocar em evidência aquilo que existe por trás dela: a música, a voz e o propósito artístico.
“A gente está falando de propósito, de dom, coisas muito além do meu eu. Acredito que esse seja o diferencial desse projeto, e de fato um ponto de virada no sentido de trazer protagonismo para o meu propósito. Isso muda todas as coisas”, afirma.
É justamente nesse ponto que o título ECO ganha ainda mais significado. As músicas funcionam como extensões da artista, levando sua mensagem para além do momento em que ela está fisicamente presente.
100% independente e dona da própria arte
A independência é um dos elementos mais importantes desta nova fase. Depois de tantos anos de carreira, Priscilla passa a ter autonomia completa sobre as decisões relacionadas ao projeto, algo que, para ela, representa uma conquista pessoal e artística.
“Significa que, mesmo duas décadas depois, eu consigo ainda ser dona da minha arte, consigo tomar decisões importantes de uma forma corajosa, segura e intencional. A minha arte ainda é minha, e para mim hoje não existe nada mais importante do que fazer uma arte com propósito”, declara.
A escolha também conversa diretamente com o momento vivido pela artista em 2026. Antes do lançamento de ECO, Priscilla colocou em prática o projeto “ECOS INDEPENDENTES”, série voltada para artistas da cena independente brasileira, promovendo encontros musicais e releituras ao lado de novos talentos.
Agora, a própria cantora assume esse espírito em sua discografia.
Dez faixas para uma nova fase
Com dez músicas inéditas, ECO apresenta uma jornada que passa por diferentes sentimentos e perspectivas, mantendo a voz e a interpretação de Priscilla como elementos centrais.

O álbum é formado pelas faixas:
“Esse É o Meu Eco”
“Nosso Lugar”
“Não Testa”
“Sua Demais”
“Obsessão”
“Melhor Sozinho”
“Destino”
“Meu Santo Me Guarde”
“Doce com Amargo”
“Respirar”
Além do clipe de “Nosso Lugar”, as demais músicas ganharão visualizers exclusivos, que serão disponibilizados gradualmente no canal oficial da artista.

Ao CG do Pop, Priscilla contou um pouco o porquê da escolha da cor azul para a estética do álbum:
“Eu tenho umas ideias que saem do absoluto nada e, depois, as pessoas fazem conexões que eu fico tipo: ‘Caraca, é verdade!’. O azul veio assim, como o vermelho, de lugar nenhum, assim como o rosa, que você aprendeu a amar. Mas minha referência foi: ‘Gente, eu quero alguns códigos que lembrem a questão do banheiro, porque a gente canta no banheiro, que falem sobre a potência da minha voz’.
Tinha essa brincadeirinha quando comecei a trocar ideia sobre o visual, mas falei que a gente não iria colocar um banheiro literal. Então, sei lá, vamos colocar o molhado, uma luz bem fria… Aí começamos a fazer pesquisas e sempre aparecia um tom esverdeado ou azulado. Então falei: ‘Vamos assumir o azul!’.
Quero uma capa azul? Azul foi! E achei que combinou. É chique, é cult, tem vários tons de azul. A Karol G está usando azul, e tem vários artistas lançando também. Então acredito que deve ser tendência.”
Ainda sobre o disco, Priscilla falou para o CG do Pop se pudesse escolher apenas uma música do álbum para alguém que nunca ouviu seu trabalho conhecer essa nova Priscilla, ela respondeu o seguinte:
“Olha, boa pergunta! Acho que, enfim, o álbum é muito coeso, mas cada música causa um impacto diferente. Quando eu mostrava as músicas do álbum para as pessoas, no início do projeto, eu sempre mostrava ‘Nosso Lugar’ e ‘Não Testa’, porque são músicas potentes, que carregam muita melodia, muitas pontes… Elas têm, enfim, as notas longas, que eu acho que mostram muito bem para onde a minha voz vai, né? E a produção vocal é muito legal. Acho que são músicas que podem me apresentar muito bem para o público.”

Uma carreira construída em diferentes palcos
A chegada de ECO acontece após uma trajetória que começou ainda na infância. Priscilla ganhou projeção internacional aos oito anos, quando participou do “Código Fama Internacional”, da Televisa, no México. De volta ao Brasil, integrou o elenco do SBT e comandou atrações como o “Bom Dia & Cia”, enquanto desenvolvia paralelamente sua carreira musical.
Ao longo dos anos, lançou projetos como “O Início” (2008), “Meu Sonho de Criança” (2010), “Pra Não Me Perder” (2012), “Até Sermos Um” (2015), “Gente” (2018) e “Você Aprendeu a Amar?” (2021), este último responsável por marcar sua transição para o pop e acumular mais de 30 milhões de reproduções nas plataformas digitais.
Em 2021, Priscilla também venceu a primeira temporada de “The Masked Singer Brasil”, interpretando o Unicórnio. No ano seguinte, retornou ao programa como coapresentadora e também comandou uma temporada do “TVZ”, no Multishow.
A artista ainda expandiu sua atuação para outras áreas, com participação na novela “Amor Perfeito”, em 2023, e estreias no teatro musical. No fim de 2025, integrou o elenco de “Wicked”, em São Paulo, interpretando Nessarose. Em 2026, protagonizou “A Boneca Susi – O Musical”, dando vida à personagem que marcou diferentes gerações.
Agora, toda essa experiência desemboca em ECO — um projeto que representa não apenas uma nova sonoridade, mas uma Priscilla mais consciente do lugar que deseja ocupar como artista.
“Eu só quero mostrar o poder da música e da arte através de uma vida, que, no caso, é a minha. Quero que as pessoas tenham um exemplo do que é um artista que permite que a arte o conduza, e não o contrário”, resume.
Com ECO, Priscilla não apenas inicia sua fase independente: ela reafirma que, mesmo depois de 20 anos de carreira, ainda é possível mudar o caminho, assumir as próprias escolhas e deixar a arte falar mais alto.

