Ebony recebe Medalha Tiradentes em homenagem ao seu impacto no hip hop e na luta contra o feminicídio

Rapper foi reconhecida durante evento na UERJ, que também marcou o lançamento da Universidade do Hip Hop
A rapper Ebony recebeu a Medalha Tiradentes durante uma cerimônia realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na última terça-feira (30). A homenagem aconteceu durante o evento “Hip Hop Contra o Feminicídio”, que reuniu representantes da cultura hip hop, produção musical e do meio acadêmico para discutir o papel da arte no combate à violência contra a mulher.
Criada em 1989, a Medalha Tiradentes é a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e reconhece pessoas e instituições que prestaram serviços relevantes para o estado.
A homenagem à artista foi proposta pela deputada Dani Monteiro, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Hip Hop na Alerj. O encontro também marcou o lançamento da Universidade do Hip Hop, iniciativa que selecionou oito MCs para participarem de atividades de extensão dentro da universidade.
Nascida em Queimados, na Baixada Fluminense, Ebony construiu sua trajetória na música independente e se tornou uma das principais vozes do rap feminino brasileiro. Suas obras abordam temas como racismo, machismo, sexualidade e saúde mental, trazendo reflexões sobre diferentes realidades sociais.
Durante a cerimônia, a rapper destacou a importância de receber uma homenagem dentro do ambiente acadêmico e falou sobre o significado do reconhecimento para jovens negros e periféricos.

“Como uma jovem preta periférica, durante muito tempo senti que o mundo universitário era o oposto de mim. Então, ter uma homenagem desse tipo dentro do meio acadêmico é um motivo de sentir que o que eu estou fazendo tem sentido”, declarou a artista.
Ebony também ressaltou que espera que a conquista inspire outras pessoas a ocuparem espaços que historicamente parecem distantes da população negra e periférica.
Além da entrega da medalha, o evento contou com debates sobre cultura, educação e enfrentamento à violência contra a mulher, reforçando o papel do hip hop como ferramenta de transformação social. A programação ainda teve o lançamento do livro “MC Não É Bandido”, que conta com um texto de contracapa escrito pela própria Ebony.

