Museu Transgênero de História e Arte apresenta acervo digital com tecnologia 3D e inteligência artificial

O Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA) amplia sua atuação com o lançamento dos Acervos MUTHA, projeto que reúne arte digital, inteligência artificial, esculturas em 3D e novas formas de preservação da memória trans. Disponível gratuitamente no site oficial do museu, a iniciativa propõe uma nova maneira de pensar o papel dos espaços culturais na era digital.
Com direção do curador e artista Ian Habib, o projeto apresenta o primeiro acervo e coleção institucional do MUTHA, reunindo obras de caráter artístico, histórico, científico e documental. Atualmente, a coleção conta com 50 obras de arte em escultura digital 3D, entre vídeos e imagens estáticas, além de cerca de 100 itens em processo de catalogação.
A proposta do museu parte de uma ideia inovadora: considerar o próprio MUTHA como uma obra de arte. Dessa forma, o projeto busca “musealizar o museu”, transformando suas galerias digitais em esculturas tridimensionais criadas com auxílio de inteligência artificial e novas tecnologias.
“As galerias digitais são concebidas como esculturas em 3D, criando espaços e corpos fabulativos com uso de inteligência artificial e novas tecnologias de produção de acervo”, explica Ian Habib, diretor do Museu Transgênero de História e Arte.
As obras digitais são desenvolvidas pelo artista Denu, com direção artística de Habib, criando uma experiência que une museologia, arquivo, performance e tecnologia.
Além da criação do acervo, o MUTHA também lançou seu primeiro catálogo digital com download gratuito, estruturou um Conselho Curatorial, criou um novo Programa Educativo e inaugurou a exposição “PERFURO”, responsável por abrir a Galeria Vasconcelos, espaço voltado para atividades pedagógicas e expositivas.

Com curadoria de babel babel, artista brasileire dissidente de gênero, a exposição nasceu a partir de um curso realizado no próprio museu e discute os caminhos da arte, os espaços de legitimação cultural e as disputas políticas e simbólicas presentes no circuito artístico.
A mostra também propõe novas formas de pensar a permanência de corpos dissidentes na história da arte, utilizando performance, escrita e práticas contemporâneas para questionar modelos tradicionais de preservação e reconhecimento.
“Quando trabalhamos com esculturas digitais, inteligência artificial e práticas performativas, não estamos apenas usando ferramentas contemporâneas. Estamos criando formas de permanência para histórias, corpos e produções que muitas vezes foram apagadas dos acervos tradicionais”, afirma Ian Habib.
O nome da Galeria Vasconcelos homenageia uma pessoa corpo e gênero variante registrada em uma pesquisa histórica realizada por Habib a partir de uma notícia publicada em 1939, em Florianópolis. O espaço nasce como uma extensão educativa do MUTHA, reunindo ações de formação, pesquisa e criação artística.
Ao unir tecnologia, arte e memória, o Museu Transgênero de História e Arte apresenta uma nova perspectiva sobre os museus do futuro, transformando o arquivo em um espaço vivo, coletivo e em constante construção.
Os Acervos MUTHA e a exposição “PERFURO” estão disponíveis em www.mutha.com.br.

