10 anos que a arte drag mudou a cultura pop e a indústria musical no Brasil

A arte drag brasileira passou por uma verdadeira revolução nos últimos anos e se tornou uma das maiores forças de transformação da cultura pop nacional. A comunidade LGBTQIAPN+ conquistou cada vez mais espaço na indústria musical, levando talento, representatividade e novas formas de expressão para milhões de pessoas.
Essa mudança tem um marco importante: 2016, ano em que uma nova geração de artistas drag começou a ganhar destaque no Brasil e apresentou ao público uma mistura poderosa de música, performance e identidade. Nomes que surgiram naquele período continuam relevantes até hoje e ajudaram a construir uma nova fase da música brasileira.
Confira algumas das artistas que fizeram história:
Lia Clark
Lia Clark surgiu em 2016 com o smash hit “Chifrudo”, parceria com a grandiosa Pepita, e rapidamente se tornou um dos grandes nomes responsáveis por aproximar a arte drag do funk brasileiro.
Com sua estética marcante e uma sonoridade que mistura funk, pop e elementos da cultura LGBTQIAPN+, Lia conquistou seu espaço e passou a ser reconhecida como uma das pioneiras do funk drag no Brasil.
Ao longo da carreira, entregou músicas que permanecem na memória dos fãs, como “Boquetaxi”, “Trava Trava” e “Tipo de Garota”, além de grandes parcerias como “Terremoto”, com Gloria Groove, e “Sereia”, com Pabllo Vittar.
Lia construiu uma legião de fãs apaixonados pela sua personalidade artística e mostrou que o funk também é um espaço de representatividade, liberdade e inovação.
Kaya Conky
Diretamente de Natal para o Brasil, Kaya Conky também surgiu em 2016 e se tornou um dos nomes pioneiros da nova geração da música drag brasileira.
A artista ganhou projeção nacional com o sucesso “E Aí Bebê” e fortaleceu ainda mais sua trajetória com a parceria “Boneca Safadinha”, ao lado de Lia Clark.
Com o passar dos anos, Kaya mostrou sua evolução artística através de diferentes fases e sonoridades, conquistando novos públicos com músicas como “Tatuagem Do Teu Ex 2”, parceria com Katy da Voz E As Abusadas, além do álbum “SEXTAPE”, um trabalho dedicado ao funk e à sua identidade musical.
Com seu estilo único e irreverente, Kaya Conky se tornou um nome inesquecível para a cena drag brasileira.
Aretuza Lovi
Além de cantora, Aretuza Lovi é uma artista completa e uma grande comunicadora. Sua trajetória ganhou visibilidade nacional em 2016, quando participou do programa “Amor e Sexo”, da TV Globo.
No mesmo ano, lançou “Catuaba”, parceria com Gloria Groove, um dos grandes hits do Carnaval e uma música que permanece viva na memória do público até hoje.
Em 2018, Aretuza participou de um dos maiores momentos da música drag brasileira com “Joga Bunda”, ao lado de Pabllo Vittar e Gloria Groove. A faixa se tornou um verdadeiro fenômeno nas pistas e celebrações da comunidade LGBTQIAPN+.
Seu álbum “Mercadinho” também marcou sua carreira, trazendo uma identidade própria e participação especial da cantora IZA.
Gloria Groove
Gloria Groove é um dos maiores nomes da música brasileira contemporânea. Artista completa, versátil e dona de uma das maiores vozes da sua geração, ela conquistou fãs no Brasil e no mundo através de sua capacidade de transitar por diferentes estilos musicais.
A artista começou a chamar atenção em 2016 com as faixas “Dona” e “Império”, mostrando sua força no rap. Em 2017, lançou “Muleke Brasileiro”, trazendo elementos do funk e ampliando ainda mais seu público.
Mas foi em 2018 que Gloria alcançou um novo patamar com “Bumbum De Ouro”, um dos grandes sucessos de sua carreira e uma música que se tornou um dos momentos mais marcantes da sua trajetória.
Seu álbum “Lady Leste” consolidou seu nome na indústria musical e mostrou toda sua potência artística. Gloria também explorou diferentes caminhos, passando pelo R&B com o EP “Affair” e pelo pagode com o projeto “Serenata Da GG”.
Recentemente, com “O Chá”, trouxe elementos do reggae e do rap, fazendo muitos fãs enxergarem uma possível conexão com suas raízes musicais.
Pabllo Vittar
Pabllo Vittar é uma das principais responsáveis por levar a arte drag brasileira para um alcance mundial. Sua trajetória abriu portas, transformou percepções e ajudou milhões de pessoas a conhecerem e valorizarem a cultura drag.
Em 2016, ganhou destaque nacional com “Todo Dia”, música que marcou o Carnaval daquele ano e iniciou uma fase de enorme crescimento artístico.
Depois disso, vieram sucessos como “K.O”, “Corpo Sensual” e seu primeiro álbum de estúdio, “Vai Passar Mal”, que apresentou ao público uma artista inovadora e cheia de personalidade.
Com seis álbuns de estúdio em sua discografia, Pabllo explorou diferentes gêneros, passando pelo pop e pelo forró, sempre mantendo sua identidade artística.
Entre seus maiores sucessos estão “Sua Cara”, parceria com Anitta e Major Lazer, uma faixa que marcou a cultura pop brasileira e se tornou um fenômeno internacional, além de “Alibi”, colaboração com Sevdaliza e Yseult, que conquistou grande destaque global.
Pabllo Vittar se tornou uma das maiores representantes da arte drag no mundo, conquistou uma legião de fãs e deixou um legado importante para a comunidade LGBTQIAPN+ e para a música brasileira.
Uma revolução que continua
Essas artistas são apenas alguns dos grandes nomes responsáveis por transformar a indústria musical brasileira, mas muitas outras drag queens também contribuíram para essa revolução cultural.
A arte drag representa criatividade, resistência, talento e liberdade. Nos últimos 10 anos, essas artistas provaram que existe espaço para novas histórias, novas vozes e novas formas de fazer música.
A cultura pop brasileira nunca mais foi a mesma depois dessa geração. Por isso, conhecer, ouvir e apoiar essas artistas é também valorizar uma parte importante da história da música nacional.

